Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Tempo e amor — Autores diversos — F. C. Xavier/Clóvis Tavares


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Peregrinação para o reencontro… n

1 Realmente, ao alvorecer do novo dia, que é a reencarnação, começamos a jornada à maneira de pássaros felizes. A alegria e a confiança representam nosso clima comum e, dentro da sublime inspiração da fraternidade, guardamos a ideia de que nossos sentimentos prosseguem no espírito de quantos nos partilham os propósitos renovadores. O júbilo canta em todas as manifestações emocionais e celebramos verbalmente o pacto luminoso do apoio recíproco na romagem da redenção.

2 Entretanto, quando o sol do meio-dia pede o suor do trabalho, a caravana diminui e, quando as nuvens prometem borrasca, são raros aqueles que não se confiam à fuga precipitada, em busca dos abrigos fantasiosos da ilusão. Chegados a semelhantes obstáculos na marcha, é necessário centralizar o coração Naquele que nos ama desde o princípio para que não venhamos a sucumbir, porque a indiferença costuma desfigurar o entusiasmo, o desalento se espalha entre fluidos enregelantes, o abandono e o receio aparecem fustigando-nos o ideal de servir, a incompreensão cerra as portas de almas cuja dedicação era nosso tesouro, e a maldade, por tóxico sutil, alcança caracteres e consciências respeitáveis, atrasando o nosso relógio de ascensão.

3 Só o Cristo vivo, no imo do ser, pode fortalecer-nos em ocasiões dessa espécie, de vez que é imprescindível perseverar até o fim.

4 A peregrinação para o reencontro do Amigo Divino não pode ser diferente.

5 Muitos chamados pela graça, poucos os que se elegem pelo esforço.

6 Muitos que prometem obras mil e raros que cogitam da purificação de si mesmos, para que o apostolado do Senhor não seja esquecido.

7 O preço da luz, porém, é a morte da treva e para que a sombra desapareça devemos combater, ainda, com todas as forças do espírito.

8 Vale, todavia, o sacrifício, porque só aquele que amealha energias no centro do coração, para superar as próprias fraquezas, consegue a coroa luminosa dos cimos.

9 Dolorosa é a subida, inquietante é a aflição, ignominiosa é a morte para os nossos antigos enganos na Terra, mas a ressurreição permanece cheia de glória e de poder.

10 Ainda que os nossos companheiros mais amados não possam sentar-se conosco à mesa das aflições, para o repasto da renúncia e da humildade, em aprendizado de cada dia com o Mestre dos Mestres, prossigamos, porque o Amor nos espera com Jesus, de braços abertos, no calvário de nossa suprema libertação.


.Nina Arueira n


ANOTAÇÕES


1 — Este texto é um trecho de mensagem íntima (de Nina Arueira) dirigida a Clovis Tavares.

2 — Nina Arueira — Filha de Lino Arueira e D. Maria Madalena Arueira, nasceu em Campos, numa casa não mais existente, na Avenida Alberto Torres, no dia 7 de janeiro de 1916.

Fez seu curso primário e normal (incompleto) em sua cidade natal. Desde os primeiros anos da juventude, militou na imprensa de Campos e do Estado do Espírito Santo. Foi membro da Loja Leadbeater da Sociedade Teosófica no Brasil, cujo presidente era o venerando Virgílio Paula, posteriormente, durante muitos anos, Presidente da Escola Jesus Cristo. Seu diploma de membro da Sociedade Teosófica se encontra no Museu de Ciro (Exposição Espírita Permanente), da Escola Jesus-Cristo.

Além de copiosa produção jornalística, deixou uma novela inédita, escrita em sua adolescência — Yanur. A Escola Jesus-Cristo editou-lhe um livro póstumo, Terceiro Milênio, hoje esgotado.

Grande amiga das crianças, dos humildes e dos sofredores, desencarnou aos dezenove anos de idade, no dia 18 de março de 1935, na residência abençoada e hospitaleira de seu grande amigo, benfeitor e pai espiritual Virgílio Paula.

É a fundadora espiritual da Escola Jesus-Cristo (Instituto Espírita de Cultura e Caridade), cujos lineamentos traçou, através da mediunidade de sua própria mãe, D. Maria Madalena Arueira e, logo após, da de Francisco Cândido Xavier, por cujo intermédio tem dado inúmeras mensagens e páginas de grande beleza espiritual.


.Clovis Tavares


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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