Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Registros imortais — F. C. Xavier e outros médiuns do Grupo Meimei — Autores diversos


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Em louvor à Natureza

61ª reunião | 16 de janeiro de 1958


Presentes: Arnaldo Rocha, Ênio Santos, Elza Vieira, Geni Pena Xavier, Laura Nogueira Lima, Lucília Xavier Silva, Francisco Teixeira de Carvalho, Geraldo Benício Rocha, António Inácio de Melo, Ursulina de tal, n Edite Malaquias Xavier, Neuza Rocha, Aderbal Nogueira Lima, Francisco Cândido Xavier, Zínia Orsine Pereira, Waldemar Silva e Paulo de tal. n


Meus amigos, estudioso como fui sempre das ciências naturais, passo aqui hoje, não como mestre, mas como amigo, procurando incentivar naqueles cujos Espíritos estão ainda aferrados ao sentimento da vaidade e do orgulho a necessidade que temos de estudar e compreender Deus através da natureza, neste livro sagrado que Ele nos legou para nosso próprio reconforto.

Quando aí na Terra, sempre que o desalento me batia às portas do coração, eu volvia o meu pensamento para a tranquilidade, a lição e o equilíbrio que o homem pode encontrar dentro de si mesmo, na função fisiológica do seu próprio organismo e fora de si, através da natureza. Era ela para a minha alma um livro aberto e eu a admirava na sua simplicidade sem par.

Em tudo, ordem, esforço e trabalho: os dias quentes e claros como que um convite ao homem para o trabalho honesto e a labuta cotidiana, as noites frescas e serenas para o descanso do corpo, o sol a brilhar, não somente para os bons, e a chuva a não pedir recompensas para fertilizar a Terra e dessedentar os seus habitantes.

Esse estudo e todas essas meditações fizeram-me um bem enorme! Tornaram-me mais humilde e menos egoísta, e me auxiliaram grandemente no meu despertar aqui. Esta nossa palestra não tem o sabor da novidade, porque o assunto já foi muito ventilado e repetido aqui, entretanto, se conseguirmos com estas nossas palavras fazer um pouco de alento, um pouco de levantamento aos nossos irmãozinhos desencarnados que aqui nos vieram visitar hoje, com os corações cheios de ódio e de desalento, a nossa palestra terá, para nós, a doçura do mel. . Portanto, meus amigos desencarnados que aqui estão, recebam a nossa vontade de ajudá-los, recebam o nosso carinho, o nosso afeto, para que, de amanhã em diante, o caminho de vocês seja iluminado!

Fizemos como estudo de hoje, na sua grande operosidade, a árvore, que, como um símbolo singelo, nos dará exemplos de ordem, de trabalho, de silêncio e de renúncia. Fixando as suas raízes no solo, eleva a sua fronde para o alto, tranquila e serena, como a pedir a Deus bênçãos e entendimento para os homens aos quais ela serve. Agasalha, amorosamente, nos seus ramos os ninhos e os pássaros. Distribui sombra e frescura ao viajor cansado que lhe busca a proteção. Alimenta aqueles que lhe procuram os frutos maduros e doces, e embala, com o aroma de suas flores, o ar, as matas e as fontes, sem se ressentir com as pedradas, com as podas inoportunas e com o esfacelamento de seus galhos. As suas folhas fornecem, ainda, remédio para muitos males e depois de percorrido todo seu grande ciclo de ajuda e de bênçãos, entrega, sem revolta, a sua madeira para fabrico de utensílios domésticos e para o conforto dos lares. Ainda, ao tombar o corpo cansado do homem, é a árvore amiga que lhe empresta o último abrigo para sua matéria deixada pelo Espírito. Se a árvore, silenciosa, dá sempre, sem nada pedir, o que não deverá fazer o homem que recebeu de Deus o dom da inteligência, da razão e da fé?

Imitemos, meus amigos, a árvore prestativa e boa, e quando nosso coração estiver a ponto de blasfemar, busquemos, nós, os homens, que nos consideramos o “Rei” da Criação, os exemplos sadios e edificantes no reino inferior, onde encontramos as mais belas lições de trabalho, de silêncio, de renúncia e de amor.

Um amigo,


.Francisco Magalhães



Comunicação recebida pela médium Zínia Orsine Pereira, do Grupo Meimei, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais.

[1] e [2] Os nomes foram grafados assim mesmo pelo datilógrafo, conforme consta do registro original.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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