Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

O Espírito de Cornélio Pires — Cornélio Pires — F. C. Xavier / Waldo Vieira / Elias Barbosa


17


Nhá Bela

1 Nhá Bela jaz ferida na barraca.

Em vão fora pedir gotas de arnica,

Pois o moço dissera na botica:

— “Não atendo gamboa na ressaca.”


2 Tem febre alta… O corpo tremelica…

Sozinha, encontra o chão por leito e maca…

Perde sangue… Delira… Está mais fraca…

Lavadeira de tanta gente rica!…


3 Chora na noite escura que a regela,

Mas alguém rompe a sombra e diz: “Nhá Bela!”

E a pobre clama: “Oh! filho, dá-me luz!…”


4 Brilha o zinco da choça de repente

E na morte que a beija, docemente,

Deslumbrada, Nhá Bela vê Jesus!


5 Compaixão inoportuna

Onde o crime se concentre,

Lindo cavalo de Troia

Com novos crimes no ventre.


6 As pessoas preguiçosas,

Conforme o senso comum,

Querem sempre algum trabalho

E estão sem tempo nenhum.


7 Discernimento e bondade

São em si diversos dons.

Caridade sem justiça

É um mel que sufoca os bons.


8 Invejoso inteligente?

Ninguém aceite esse engano.

Inveja esmaga o talento

Como a traça rói o pano.


Cornélio Pires



[As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira.]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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