Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

O Espírito de Cornélio Pires — Cornélio Pires — F. C. Xavier / Waldo Vieira / Elias Barbosa


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Paixão de “Sá” Biluva

1 João da Mata espichou no boqueirão.

Tirava pau no Morro do Esqueleto

Para o serviço novo do coreto,

Caiu, gritou… Morreu de supetão.


2 “Sá” Biluva na Roça do Pilão,

Magrela de paixão que nem graveto,

Vivia de clamar, toda de preto:

— “Quero ver João, meu Deus! Quero ver João!…”


3 O Espírito de João, com dó da viúva,

Veio uma noite e disse: — “Sá” Biluva

Não chore, minha velha! Eu não morri!…”


4 Mas Biluva, assungando a cruz de ferro,

Rebolou no colchão, soltando um berro:

— “Te arrenego, capeta! Sai daqui!…”


5 — “Felicidade é a soma” —

Disse Marinho Irajá —

“Não daquilo que se toma,

Mas daquilo que se dá.”


6 Longevidade não vem

Nem de fartura ou de fome.

Longevidade é comer

Metade do que se come.


7 “Devagar que tenho pressa”,

Contudo, guarda a certeza

De que a preguiça começa

Na casa da vagareza.


8 Nem sempre os males são males

Por mais que males divises;

Onde a lei acha culpados

O amor encontra infelizes.


Cornélio Pires



[As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira.]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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