Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

O Espírito de Cornélio Pires — Cornélio Pires — F. C. Xavier / Waldo Vieira / Elias Barbosa


8


No rio das lágrimas

1 No casarão do sítio da Mutuca,

O velho pede pouso e alguém chasqueia:

— “Saia, tratante, e durma na cadeia!

Ponha a cabeça tonta na cumbuca!”


2 O mendigo cansado não retruca,

Enfrenta a noite e a chuva… Cambaleia…

Mais além rola o rio entregue à cheia…

E, exposto à sombra, afoga-se Nhô Juca…


3 Ante a morte, o passado se desvenda…

Sente-se outro… É o dono da fazenda…

Nhô Juca, leve e moço, chora e fala…


4 Mas, súbito, no chão molhado e frio,

Repara o rio e vê que é o mesmo rio

Onde afogava os velhos da senzala…


5 Saudade, às vezes, no Além,

Tem novo e estranho sentido…

É muito maior que o bem

Que se julga haver perdido.


6 Dinheiro lembra no fundo

Estrume na plantação,

Que só serve para o mundo

Quando espalhado no chão.


7 Não mexas com vida alheia,

Tem coisa nessa manobra.

Cachorro bom de tatu

Costuma morrer de cobra.


8 Reencarnação — benefício

Que a outro não se compara,

É o modo que Deus nos deu

Da gente mudar de cara.


Cornélio Pires



[As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira.]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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