Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

O Espírito de Cornélio Pires — Cornélio Pires — F. C. Xavier / Waldo Vieira / Elias Barbosa


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Na mesma moeda

1 O coronel Tutuca Sapecado,

A cada petitório de mendigo,

Falava: — “Deus é grande, meu amigo!”

Mas não dava um vintém de mel coado.


2 Se um doente gemendo afadigado

Vinha pedir perdão de juro antigo,

Louvava: — “Deus é grande! Deus consigo?”

E recebia o cobre assossegado.


3 Quando morreu ficou na caixa-forte

E gritava mudado pela morte:

— “Quero o auxílio do Céu! Que Deus me mande!”


4 Mas trancado no escuro, em agonia,

Só escutava alguém que lhe dizia:

— “Fique firme, Tutuca, Deus é grande!”


5 Alguém escreveu na lousa

Do rico Moura Pamonha:

— Deixou a fortuna aos doidos

Depois de vender maconha.


6 Na sepultura comum

Da devota Florisbela:

— Morreu fazendo jejum,

Comendo numa panela.


7 Não largues ao bem-querer

A construção do futuro.

No relógio da paixão

Não há ponteiro seguro.


8 “Seguro morreu de velho”,

Diz o rifão popular,

Mas faleceu de preguiça

Com medo de auxiliar.


Cornélio Pires



[As poesias destacadas com o texto em cor diversa do negro são devidas à psicografia de Francisco Cândido Xavier, e as outras à de Waldo Vieira.]


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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