Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Maria Dolores — A própria


9


Mensagem da Terra

  1 O Homem que esmorecera no trabalho;

  Deitando-se no chão por rebeldia,

  Ao sentir-se infeliz e descontente,

  De ouvido rente ao solo,

  Escutou, de repente,

  As palavras que a Terra lhe dizia:


  2 — Sou tua mãe, a Terra!… Ergue-te e anda!…

  Não te magoes, meu filho, contra a vida,

  Tudo o que Deus nos manda

  É luz que aperfeiçoa…

  A dor vem dessa luz que nos convida

  Ao trabalho do bem que não se cansa

  De criar a alegria e gerar a esperança…

  Levanta-te, caminha, ama, serve e perdoa!…


  3 Fita-me a pele desolada,

  Fiquei ferida assim, ante os golpes da enxada,

  Para que tenhas pão à mesa!…


  4 Sofrer para ajudar é lei da Natureza!…


  5 Deus pede que eu responda à injúria dos tratores,

  Mais frutos produzindo, em braçadas de flores…

  A quem me atire lama, lodo ou estrume

  O Senhor determina

  Que eu forneça mais verde e mais perfume,

  Porque, segundo as leis da Bondade Divina,

  De tudo quanto existe, o amor somente

  É valor permanente

  Do verme que se oculta em baixo nível,

  À estrela que parece inatingível!…


  6 Embora eu tenha o Céu por segurança e escolta,

  Tenho milhões de filhos em revolta

  E, às vezes, eles mesmos se exterminam

  Em conflitos sangrentos,

  Mas nunca sabem de meus sofrimentos,

  Porque sou mãe vivendo aos sóis no Espaço,

  E a todos acalento em meu regaço.


  7 Deus é Pai que jamais, amaldiçoa,

  Por isso, filho meu, ama, serve e perdoa!…


  8 Um dia, ao ver o mal a envolver-me de todo,

  Em torrentes de ódio, sangue e lodo,

  Supliquei ao Criador nos mandasse mais luz

  E o Céu nos enviou o ensino de Jesus!…


  9 Jesus veio e entreabriu-se nova aurora,

  Amou e fez de si divina doação,

  E muito embora

  Muita gente buscasse a redenção

  É preciso dizer que, até agora,

  Quase que ninguém quis

  Receber de Jesus o dom de ser feliz.


  10 Notando o orgulho a dominar o mundo,

  Nas guerras sem razão sob o ódio iracundo,

  Pisando, desprezando ou destruindo,

  Tudo aquilo que fiz de mais puro e mais lindo,

  Derramo, às vezes, lágrimas ardentes…


  11 O vulcão é meu choro em lavas comburentes!…

  Nunca roguei, porém, compensações nem mimos.


  12 Guarda a fé, filho meu, contempla de altos cimos

  No firmamento azul que nos recobre

  A divina grandeza do porvir

  Porque o trabalho, em si, não é triste, nem pobre…

  E todos viveremos

  Nos triunfos supremos

  Do privilégio de servir!…


  Desperta, filho meu, ergue-te e vem,

  Trabalhemos com Deus na Seara do Bem!…


  13 E o homem deslumbrado,

  Levantou-se do chão que atravessara a esmo…


  14 — “Servirei, servirei!…” — prometeu a si mesmo.


  15 Ao erguer-se, sentiu a vida em torno…

  Não longe, alguém guardava o pão no forno…

  Enxergou renovado,

  Árvores, animais, lavradores cantando,

  As flores se entreabrindo e as abelhas em bando…


  16 Depois, em oração que a fé viva descerra,

  Gritou alçando ao Alto os braços seus:

  — “Louvado seja Deus!

  Ouvi a voz da Terra,

  Obrigado, meu Deus!…”


.Maria Dolores


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

.

Abrir