Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Gratidão e paz — Familiares diversos


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Túlia Maura Diniz Baptista Mendes


PAZ E AUTENTICIDADE NO REENCONTRO

“Aos dezesseis anos de idade, nossa filha Túlia Maura apresentou grave enfermidade que, apesar de toda a assistência possível, evoluiu de forma irreversível. Tratava-se de um linfoma.

Submeteu-se a várias internações no Hospital Felício Roxo, de Belo Horizonte, MG, onde após 19 dias de sofrimento, veio a desencarnar numa quarta-feira, 21 de outubro de 1981, quando o dia começava a clarear.

Na sua última noite, em um dos momentos de aflição, disse-me: “— Mamãe, eu tenho que ir, eu preciso…” Foi o seu pedido de consentimento a que ela se refere na carta mediúnica.

Ficamos muito abalados com a perda da filha querida e, quatro meses após o seu desenlace (19/02/1982), por orientação de uma senhora amiga, procuramos Chico Xavier, em Uberaba, quando recebemos a mensagem.

Foi um bálsamo para todos! Deu-nos uma certa força e coragem para continuarmos a caminhada.

Analisando os itens da carta, cada vez mais nos emocionamos, pois todos os dados coincidem com os fatos.”

Estes foram os tópicos principais da atenciosa carta de D. Nara Diniz Baptista Mendes, a nós endereçada (a 04/08/1988), testemunhando o seu feliz e autêntico reencontro com a saudosa filha.


1 Mãezinha Nara e vovó Dulce, minhas queridas, em pensamento reúno o papai Aderbal e o Adriano aqui conosco a fim de comunicar-lhes que vou passando muito melhor.

2 Não sei se minha memória está fiel, mas admito que a nossa despedida aconteceu numa quarta feira.

3 Mãezinha, aqueles dias no Felício Roxo me pareceram o término do caminho… Pensava assim, porque os tratamentos difíceis não me erguiam as forças. 4 Procurava ler em seus olhos aquilo que os médicos e as enfermeiras não diziam e, embora o seu carinho enxugasse cuidadosamente as lágrimas, eu notava os sinais delas em sua face. 5 Os seus beijos me contavam que esperávamos em oração o dia que a Bondade de Deus estava quase assinalando…

6 Refletia em tudo quanto aprendera de seu carinho em nosso recanto doméstico, e lembrava, uma a uma, as lições da vovó Dulce e acabava concluindo que seria impossível perder a paciência e a fé nas horas em que mais necessitávamos delas, e buscava conversar em silêncio com as dores do meu corpo, tentando tranquilizá-las.

7 Na terça feira, se me lembro bem, pedi o seu consentimento para deixar o hospital, significando sair do corpo doente. Recordo a sua expressão de tristeza, mas agradeço a compreensão com que o seu carinho pediu a Deus nos socorresse. 8 Depois daquela sua aprovação sem palavras, que não era concordância e sim sofrimento, que a gente não sabe explicar, notei que uma brisa leve me acalmava… 9 O sono veio devagar qual se eu fosse a sua criança desarvorada por muito tempo que recebera permissão para dormir; dormir sem picadas de injeções e sem aplicação de sondas, dormir simplesmente…

10 Nada mais vi, senão em forma de sonho. Parecia vê-la chorar sem que eu pudesse aliviá-la e rezei com veemência rogando a paz de Jesus para nós todos. Aí entrei num sono de sedativos, profundo e sem o menor traço de sonho ou pesadelo.

11 Quando acordei, um quarto novo me abrigava. Achava-me leve, sem dor… 12 O sol invadia o recinto e me reconheci tão melhor que a chamei em voz alta. Uma senhora, junto a mim, beijava-me com o jeito de sua ternura e do carinho da vovó Dulce, e me disse com bondade para não recear e acrescentava que eu fora transferida de residência. 13 Não mais me achava sob os seus cuidados e sob as atenções do papai Aderbal porque o meu corpo era outro… Ainda assim me explicou sorrindo que a família era a mesma, que ela era a vovó Carmelita e que ali estava para me fazer companhia.

14 Mãezinha querida, chorei sem alarme, como a doença me habituara a chorar. Entretanto, a fé em Deus era uma espécie de luz por dentro de mim e uma coragem que eu não tinha nasceu de repente em minh’alma…

15 Comecei melhorando pela fé em Deus e ao rever a sua presença, ao rever a vovó, o papai e o Adriano, o pranto da saudade correu com abundância a me encharcar o rosto, mas, no íntimo, a confiança em Deus me reanimava e tenho podido caminhar, dia por dia, na direção do meu restabelecimento integral.

16 Peço-lhe continue alegre e bem disposta. Não existem sofrimentos eternos e estamos todos juntos pelos fios do amor e da oração.

17 Agradeço à família tudo o que se fez por meu repouso e refazimento na Vida Espiritual, em que me encontro. Mamãe, recebi todas essas manifestações de carinho e fiquei feliz. Muito grata a todos.

18 Queria mais espaço de tempo a fim de tentar dizer-lhes quanto os amo a todos; no entanto, a vovó me diz que já posso terminar. Reúno a sua presença com a presença do papai Aderbal, e rogo para que me abençoem, pedindo ainda à vovó Dulce para prosseguir na condição de minha professora de fé recordando-me as nossas orações.

19 Muito carinho para o Adriano e muito afeto às nossas amizades, que estão todas por flores de Deus em minha memória.

20 E reunindo a mãezinha querida e a vovó Dulce no meu rosário de orações e de saudades, peço a Deus para me abraçarem outra vez…

21 Sinto falta do amor com que me prepararam para a vida e para a confiança em Deus; ainda assim, muito reconhecida por todos os tesouros de dedicação com que me abençoaram sempre, e continuam me abençoando, beija-lhes as mãos queridas, a neta e filha sempre grata,


.Túlia Maura

Túlia Maura Diniz Baptista Mendes.


Notas e Identificações

1 — Mãezinha Nara e papai Aderbal — Casal Aderbal Cordeiro Mendes e Nara Diniz Baptista Mendes, residente em Belo Horizonte.

2 — Vovó Dulce — Dulce Diniz Baptista, avó materna.

3 — Adriano — Adriano Diniz Baptista Mendes, irmão.

4 — Seria impossível perder a paciência e a fé (…) e buscava conversar em silêncio com as dores do meu corpo, tentando tranquilizá-las. — “Interiormente, eu me perguntava como foi possível a uma menina tão nova, sofrendo um tratamento tão sério, não reclamar nada. A resposta veio sublinhada na carta: `buscava conversar em silêncio…” (Dª. Nara)

5 — O meu corpo era outro… — Refere-se ao corpo espiritual ou perispírito.

6 — Vovó Carmelita — Carmelita Palhares Diniz, bisavó materna, desencarnada em 25/10/1954.

7 — Túlia Maura Diniz Baptista Mendes — Nasceu em 11/6/1965. Era saudável, muito estudiosa e de grande força de vontade. Cursava o 2° ano do 2° Grau.


.Hércio Marcos C. Arantes


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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