Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Feliz regresso — Familiares diversos


18


Rosângela e Paulo Sérgio

MENSAGEM DE ROSÂNGELA

1 Minha querida mãezinha e meu querido papai, peço para que me abençoem.

2 Não me vejo preparada para falar com segurança, mas, os pensamentos de vocês nos chamam com tantas lágrimas que fui trazida por meu tio Luiz e por meu bisavô Silvério para dar as notícias.

3 Mãezinha, não chore mais com tanta aflição a lhe ensombrar o caminho. Sabemos que a morte ainda reclamará muito tempo para ser compreendida e aceita, mas, graças a Deus, vocês procuraram o melhor caminho para o nosso reencontro.

4 A princípio sofri muito. Os últimos dias nas clínicas, depois do choque do carro no Morumbi, foram difíceis, porque, embora não estivesse a me comunicar com facilidade em vista dos estragos que trazia, sofri bastante. Mas, ainda tive tempo de orar muito e pedir a Deus, em silêncio, nos auxiliasse.

5 Quando vi que o corpo não reagia mesmo, roguei a Jesus me fizesse descansar e as mãos da Vida Superior me atenderam retirando-me do VESTIDO FÍSICO, já quase sem vida para viver a verdadeira vida.

6 Mãezinha, você e papai sabem o que vem a ser deixar tudo quando tudo esperamos, partindo sem opção para lugares que não se conhece? Tudo quanto era sonho e esperança em mim estava massacrado. Eu não sei onde a dor me feria mais, se no corpo ou se na alma expulsa do habitual para uma situação que me parecia aventura ou extinção de tudo o que vem a ser nós mesmos.

7 Pensei em vocês e em nosso Paulo César e chorei com imensa amargura, mal sabendo que o irmão querido viria também, logo depois. Vi-me no último dia, creio que a dezessete de julho, há mais de dois anos passados, carregada de um estabelecimento para outro. Julguei que voltava para casa e acomodei-me como pude. 8 Dormi compreendendo que anestésicos me haviam sido ministrados por médicos que não conhecia, mas despertei com as preces e lágrimas de mamãe e do papai, do irmão e dos outros amigos, supondo estivesse de regresso do nosso pouso doméstico, entretanto, estava um sacerdote amigo ao meu lado. 9 Conhecia-o por retratos. Era um padre moreno e de cabelos prateados que me falava como se fosse meu pai. Explicou-me a verdadeira situação. Chorei, mas chorei muito. Era o Padre Vitor, Francisco de Paula Vitor a me falar de parentes amigos que me ajudaram. Depois apresentou-me o tio Luiz e o vovô Silvério que me abençoavam com alegria.

10 Mamãe, este foi o meu grande momento, porque compreendi que cabia aprumar-me para ser útil. A senhora estava triste, desejando morrer, mas lutamos com todas as forças nos dias possíveis para extrair do seu cérebro o estranho desejo e, amparando o papai que se via esmagado de sofrimento, conseguimos que a senhora vivesse.

11 Soube depois que o Paulo César deveria, igualmente, vir para cá e alarmei-me. Não pude, porém, retirá-lo da provação necessária. Fiz muita força para encorajar-me e quando o irmão foi vítima da moto que comandava, escorei a senhora por todas as maneiras para que não desejasse forçar o caminho para cá. Sei, sim, tudo o que sofreram com a nossa ausência, mas, creiam que o nosso Paulo César também está melhorando.

12 Soube que o nosso protetor Dr. Bezerra lhes dera a saber que apenas mais tarde poderia eu trazer-lhes notícias. Isso, porém, acontece porque tenho estado mais perto do irmão, ajudando-o a suportar os resultados da ocorrência. Paulo César deixou diversos assuntos que o preocupavam e aquele choque da moto lhe criou muitos problemas que não cheguei a conhecer. Peço-lhes paciência.

13 Estamos amparados com segurança. O que há conosco é somente saudade, mas saudade está em qualquer pessoa e em toda parte. Mesmo aí na Terra, quando a gente cresce tem saudades da infância, quando amadurecidos na idade física, sentimos falta das forças da mocidade. 14 E, por isso mesmo, há choro e carência de afeto nas regiões mais felizes daqui, porque ninguém está feliz sem aqueles que ama. Vocês podem observar isso, com vocês mesmos. Mas, precisamos tolerar as dificuldades e fortalecer as fibras da alma para explicarmos o reencontro com o mérito do serviço.

15 Tenho visitado o meu avô José Ferreira Leite, que veio recentemente para cá e ainda sofre muito com a inadaptação. Mas tudo vai melhorar.

16 O nosso amigo Padre Vitor tem orientado as minhas atividades novas, que se ampliaram muito, após o regresso de Paulo César para cá, deixando a família. Insisti quanto pude para escrever a você, para falar, porque preciso vê-los mais tranquilos.

17 Agradeço em meu nome e em nome do meu irmão as orações que fazem por nós e as lágrimas com que nos dão notícias de nossa dor recíproca, à distância uns dos outros. Mas o Paulo César e eu teríamos tempo estreito na Terra. Foi só uma complementação de tempo. Por isso é que viemos cedo, mas não estamos inertes.

18 Papai, o senhor esteja sereno e valoroso como sempre. Não acredite que alguém tivesse culpa no acidente. Estamos todos muito bem comportados, digo estávamos todos muito bem comportados. Não havia qualquer deslize de nossa parte. Quando aconteceu o que sucedeu comigo, as circunstâncias, digo suposições se espalham em versões diversas. Fiquemos com a verdadeira.

19 Tínhamos necessidade de passar pelo que passamos e com o tempo o senhor verá que a paz estará novamente conosco, porque temos muito serviço a fazer.

20 Você e mamãe perderam dois filhos na face do Mundo concreto, mas existem centenas e milhares de filhos alheios rogando socorro e auxílio.

21 Larguemos o casulo da dor para irmos ao encontro das dores alheias, diminuindo-as até que desapareçam, auxiliando em benefício dos outros é que os outros se voltam para nós, auxiliando-nos em nome de Deus.

22 Mais uma vez, rogo-lhes paz e coragem. Tudo está ficando cor-de-rosa no Céu de nossas vidas. As nuvens despejaram cataratas de pranto sobre nós, mas o céu de nossa esperança em Deus está plenamente azul. Aqui estou eu, Rosângela, consolada, aguardando tempos novos para nós todos.

23 Peço para que nos lembrem, a mim e ao Paulinho, com fé em Jesus, na certeza de que não estamos mortos e sim transformados por fora, mas sendo sempre os mesmos por dentro.

24 Agradeço as criaturas boas reunidas aqui, de pensamentos entrelaçados, garantindo-nos um ambiente fraterno de segurança e paz, a fim de que eu pudesse escrever.

25 Perdoem se não posso fazer mais ou melhor. Creiam, porém, que estou envolvendo o lápis com as vibrações mais íntimas do meu coração de filha para buscá-los à confiança maior em Deus.

26 Papai e mãezinha querida, recebam vocês dois o coração repartido em dois pedaços iguais, da filha sempre grata e sempre unida à nossa felicidade de pertencer-nos uns aos outros.

27 Um beijo carinhoso da filha agradecida e que constantemente pede a Deus para que nos fortaleça e nos abençoe,


.Rosângela


MENSAGEM DE PAULO CÉSAR

1 Mãezinha querida, meu pai, estou aqui, recomeçando a ser criança no anseio de receber-lhes a bênção.

2 Tudo mudado exteriormente. Mocidade alterada num momento. Planos de futuro sob transformação violenta. Nossa casa terrestre distante. 3 Tudo renovado, independentemente de minha vontade. Bastou um choque de moto contra algum corpo diferente e a transferência de tudo.

4 Mãezinha, a nossa Rosângela me trouxe para falar-lhes, a você e a meu pai, que não há motivo para aflições. Perdoem-me aquela vida em que a pressa me marcava em todos os pontos de comportamento. 5 Compreendia os conselhos recebidos. “Meu filho, para todos os empreendimentos, há tempo adequado”; “precisamos que você fique conosco por mais tempo”, “convém ponderar”, “tudo o que é bom deve amadurecer para ser aproveitado com segurança” — tantas observações ouvi de ambos, no entanto, guardava a ideia que meu tempo na Terra seria excessivamente estreito e desposei nossa Carmen, quando poderia ter esperado um tanto mais… e aguardar uma criança era meu sonho… 6 Mas as Leis da Vida determinavam medidas diferentes. Vim para cá de modo tão brusco, que não acreditei na mudança, depois que nossa Rosângela me comunicou sorrindo que nós ambos não havíamos recebido grande saldo de tempo na Terra, entre vocês dois, nossos dois grandes amores.

7 Papai, muito obrigado por sua aprovação de amigo aos meus desejos.

8 Mamãe, muito obrigado por sua resignação. Conheço o que Rosângela lhes escreveu e não necessito dizer que a adaptação à Vida Espiritual, quando se quer tanto viver e realizar, é muito difícil. 9 A princípio, a rebeldia me dominou. Fui tratado carinhosamente por um médico que se afirmou amigo de meus avós, de nome Dr. Augusto Silva. Creio que ele veio em meu socorro atendendo à solicitação do Padre Victor que me amparou, qual sucedeu com Rosângela. 10 O meu bisavô Silvério, a tia Maria e outras criaturas santas das quais me fiz devedor insolvível me auxiliaram muitíssimo. Compreensivelmente era natural que me voltasse em minhas inquietações para a familinha que eu formara, mas, gradativamente, a serenidade me recompôs as energias.

11 Não tenho razões senão para agradecer aos que se uniram às nossas vidas e peço à mamãe Aparecida me auxilie com a sua calma e com a sua fé. Mãezinha, todos estamos contratados — assim me parece — para executar determinadas tarefas em nosso próprio benefício. E cada tarefa bem cumprida é mais um degrau de experiência de que necessitávamos. 12 Penso, mamãe, que a maturidade está chegando para seu filho. Não posso reclamar aquilo que me escapa à possibilidade de auxiliar. A companheira que ficou é uma excelente menina. Correta e digna. Inteligente e prestimosa. Mas não nasceu em nossa casa e, por isso mesmo, se posso pedir-lhe isso, rogo-lhe abençoá-la por filha espiritual.

13 A senhora e meu pai encontraram um mundo novo e nesse novo mundo estamos em contato com muita gente boa que nos reconforta e esclarece. Creiam, a senhora e meu pai, que Rosângela caminhou muito à frente de mim e pode, por isso, instruir-me para que eu não venha a incidir em erros que devo claramente evitar. 14 Fui esposo e pai, hoje sou irmão. Poucas palavras encerrando tantos ensinamentos. Investir-me no título de irmão agora tem sido a minha preocupação, pois preciso ajudar desinteressadamente. 15 Sei que a vida no mundo físico é trabalhada por necessidades inevitáveis. Não podemos considerar as pessoas como sendo criaturas espirituais, propriamente consideradas. Aí é que está o problema. 16 Esse momento, ao que imagino, chega para toda gente que vem esbarrar aqui. É fácil deixar teres e haveres, mas renunciar às afeições é muito difícil porque um instinto de posse rege no mundo as nossas ligações. 17 Mas console-nos uma certeza. A senhora, meu pai e eu não sofremos alteração alguma. Continuo sendo para vocês o filho de sempre e vocês os pais de que nunca me separei.

18 Penso que isso lhes fornece algum sinal do amadurecimento espiritual que vou adquirindo, aprendendo a ceder e compreender, auxiliando e amando sempre.

19 Agora, decorrido mais tempo sobre a minha vinda, noto que o equilíbrio se me refaz e estou quase perfeitamente bem, se isso fosse possível entre os que se amam quando estão relativamente distanciados uns dos outros.

20 Nossa Rosângela está aqui comigo, amparando-me na condução do lápis que deve expressar-nos os pensamentos de corrida e outros amigos me oferecem o melhor de que dispõem.

21 Estou pronto para as novas tarefas a que seja chamado e quando quiserem me honrar com qualquer ocupação, lembrem-se do filho que tanto recebeu sem retribuir.

22 Relutei em grafar estas notícias, já que a nossa Rosângela dera as novidades a nosso respeito, entretanto, a irmãzinha insistiu, mostrando-me o estado de angústia da mamãe que, com o tempo, parece mais doente de saudade.

23 Querida mãezinha, estamos no melhor campo de atividades curativas que poderíamos receber. Aqui e aí, o serviço ao próximo é o nosso melhor currículo de lições. 24 Tentando diminuir o peso dos fardos alheios ou mesmo suprimindo essas cargas que dobram tantos ombros escalavrados de sofrimento no mundo, estaremos aliviando e restaurando a nós mesmos. Perdoe, mãezinha, se me reporto a isso. 25 A beneficência sempre iluminou as suas mãos, no entanto, a dor costuma esvaziar-nos de pensamentos inquietantes para que ideias renovadoras nos beneficiem.

26 Nossa querida Rosa de casa deixa-lhes o perfume de sua bondade e, acreditando haver trazido minhas notícias sem qualquer interferência nos assuntos que já não mais me dizem respeito, deixo-lhe, mãezinha, tanto quanto ao papai, o coração reconhecido de seu filho,


.Paulo César


COMENTÁRIOS

O que dizer aos pais, que no espaço de 8 meses se veem despojados de seus dois únicos filhos?

Rosângela, 18, e Paulo César, 20 anos.

Não há muito o que dizer. Pede-se a Deus que lhes dê as forças necessárias. E o socorro chega. Rosângela e Paulo César puderam vir consolar os progenitores. As doces palavras lhes ressoaram nos corações ansiosos.

A esperança e a fé no porvir, a alegria e a paz voltaram aos pais queridos que se definem nestas expressões:

“Perdemos dois filhos na matéria e ganhamos dois seareiros de Jesus. Mostraram-nos em suas mensagens a verdade que confirma, consola e revigora-nos para enfrentarmos com resignação e paciência o tempo que ainda nos resta.”

Uma vez mais, a lei do amor ensinada por Jesus e alicerçada na fé, remove as montanhas de angústia que o sofrimento nos impõe.


PESSOAS E FATOS

Rosângela Silvério Leite: Nascimento: 5.9.1957. Desencarnação: 17.7.1975.

Paulo César Silvério Leite: Nascimento: 24.6.1955. Desencarnação: 26.3.1976.

Pais: Paulo Ferreira Leite e Maria Aparecida Silvério Leite — Rua Tenente Blum, 23 — Jardim São Paulo, São Paulo — SP.

Avô: José Ferreira Leite, paterno.

Bisavô: Silvério, materno.

O Cônego Francisco de Paula Vitor, nasceu em Campanha em 12.4.1827, desencarnou em 23.9.1905. Foi Pároco durante 53 anos em Três Pontas, Minas Gerais, onde nasceu Rosângela, conhecido pelos jovens desencarnados apenas por fotografia.

Luiz Ferreira Leite, tio paterno, desencarnado.

Hospital das Clínicas de São Paulo, onde Rosângela fora medicada.

Dr. Augusto Silva, amigo de seus avós paternos.

Carmem Campos Leite, esposa de Paulo César.

Maria, tia de sua mãe.


.Rubens S. Germinhasi


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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