Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Entender conversando — Emmanuel


10 n


A vida e a morte

Por solicitação do amigo, Sr. Murilo Jardim, Diretor do jornal “Lavoura e Comércio” de Uberaba, realizamos para o Programa Olavo Marcos, do Jornal da Globo, em São Paulo, interessante entrevista com Chico Xavier, abordando temas de grande atualidade.

Sem maiores comentários de nossa parte, ouçamos a palavra dos Espíritos Superiores pelos lábios do nosso Chico.


124 — IMORTALIDADE

P. — O que é a vida? O que é a morte?

R. — Estamos à frente de uma indagação que deve ser endereçada aos sábios do mundo e não a um imperfeito e pequeno servidor da fé religiosa, qual me acontece.

Ainda assim, posso dizer que me vejo, simbolicamente, na condição de uma lagarta que conseguisse viver, durante longo tempo, e que, por isso enxergou muitas lagartas-companheiras se cadaverizarem na forma de casulos aparentemente secos e imóveis, a se transformarem, logo após, em borboletas que vencem alturas, surpreendendo-se, com o belo fenômeno sem possibilidades de explicá-lo.


125 — AFASTAMENTO DA FÉ RELIGIOSA

P. — Violência no mundo: estaríamos vivendo o fim dos tempos? Violência… sinal dos tempos?

R. — Permitimo-nos uma contra-pergunta: não será a violência o resultado de nosso pretendido afastamento da fé religiosa, segundo o materialismo da inteligência deteriorada, que tenta convencer-nos de que não passamos de animais sadios ou doentes da civilização?


126 — PORNOGRAFIA E EDUCAÇÃO

P. — Erotismo e pornografia, qual a razão de tantas publicações sobre esses assuntos? A educação sexual é necessária?

R. — A primeira pergunta a nosso ver, é assunto pertinente às autoridades da imprensa, às quais precisaria caber o encargo de fiscalizar a sanidade e o proveito dos artigos que a própria imprensa escrita ou radio-televisada fornece ao mercado das ideias para o consumo dos leitores.

Quanto à segunda indagação, cremos que a educação sexual é assunto a ser conduzido seriamente, no futuro, porque, no presente, em nosso âmbito pessoal, ignoramos onde estarão os professores para semelhante disciplina.


127 — ABORTO CRIMINOSO

P. — Aborto: é a favor (ou contra)? Por quê?

R. — Acreditamos que tanto é um delito assassinar uma criança na via pública, quanto exterminá-la, em falso regime de impunidade, no ventre materno.


128 — CÓDIGO DE RESPEITABILIDADE

P. — Como devem ser os Espíritos de pessoas que cometem atentados como os que feriram o Presidente dos Estados Unidos e agora o Papa? Qual o remédio para a Humanidade superar essa fase?

R. — Líderes respeitáveis, quais sejam os papas e presidentes de nações são responsáveis diretos pela segurança de milhões de pessoas. Admitimos que a Justiça possui recursos para reprimir os abusos cometidos na pessoas de semelhantes autoridades representativas.

Quanto às normas de acatamentos à personalidade humana, cremos com os Benfeitores Espirituais que opinam no assunto, que um código de respeitabilidade instituído pela imprensa escrita e radio-televisada, sob a regência de um conselho digno da própria imprensa, independentemente da Censura Oficial, patrocinadora das liberdades públicas, poderia efetuar a triagem dos temas e das imagens fornecidas ao público. Esse código de dignificação da cultura poderá prestar grande auxílio ao homem, na condução do respeito a si mesmo e à sua própria vida.


129 — IDEIA DE DEUS

P. — Numa época de comunicação rápida e fácil, o homem experimenta momentos de frustrações, desespero, intranquilidade. Por quê?

R. — Não acreditamos que criaturas humanas e comunidades humanas consigam ser felizes sem a ideia de Deus e sem respeito aos semelhantes.


130 — PROBLEMAS DAS GRANDES CIDADES

P. — Os problemas das grandes cidades: as populações carentes geralmente são massacradas. A elas quase tudo é negado. Isso é um perigo?

R. — Esta é uma questão para administradores e legisladores, sociólogos e economistas, aos quais compete a orientação da vida pública.


131 — ERRADICAÇÃO DA POBREZA E DA IGNORÂNCIA

P. — Apontado para o Prêmio Nobel da Paz, se lhe fosse imposto governar o Brasil, o que deveria ser feito visando a erradicação da pobreza e da ignorância em que vivem milhões de pessoas?

R. — A indicação para o Nobel da Paz nasceu da bondade de amigos generosos, sem que, por mim mesmo, me reconheça detendo méritos para qualquer honraria. Sem qualquer experiência de ordem política e respeitando na política uma das mais altas ciências do mundo, por envolver interesses comunitários, não posso imaginar o que me seria possível fazer se me fosse imposto determinado encargo representativo. Creio, no entanto, que a distribuição do trabalho, sem obstáculos de idade ou condição física, para o acesso às atividades profissionais e a obrigatoriedade da escola gratuita, pelo menos, em se tratando das bases de ensino primário às comunidades infanto-juvenis, poderiam colaborar decisivamente na erradicação da pobreza e do analfabetismo no campo de nossa vida coletiva.


132 — ESPIRITISMO E CATOLICISMO

P. — O Espiritismo confronta com o Catolicismo?

R. — Não vemos luta competitiva entre a Doutrina Espírita e as religiões tradicionais que zelam pela memória e pelos ensinos de Jesus. Ante o Evangelho do Divino Mestre, a Doutrina Espírita é portadora de princípios que aclaram com segurança as lições do Cristo, sem qualquer pretensão de superioridade sobre as organizações cristãs, sempre dignas do maior respeito.


133 — RIQUEZA E FELICIDADE

P. — Para ser feliz o homem necessita da riqueza? O que é a felicidade?

R. — Acreditamos que o Criador nos fez ricos a todos, sem exceção, porque a riqueza autêntica a nosso ver, procede do trabalho e todos nós, de uma forma ou de outra, podemos trabalhar e servir.

Quanto a felicidade, cremos que ela nasce na paz da consciência tranquila pelo dever cumprido e cresce, no íntimo de cada pessoa, à medida que a pessoa procura fazer a felicidade dos outros, sem pedir felicidade para si própria.


134 — VITÓRIA DA PAZ E DO AMOR

P. — E finalmente: numa época de tanta violência, desamor, inquietude, ainda há esperança para a Humanidade?

R. — Estamos certos de que nós, os cristãos de qualquer procedência, não podemos esquecer a promessa do Cristo: — “Estarei convosco, até o fim dos séculos”. ( † )

A violência, o desamor e a inquietude são estágios humanos, suscitados pelas criaturas humanas, mas a vitória da paz e do amor, entre os homens, pertence a Jesus, o Cristo de Deus.


.Francisco Cândido Xavier

.Emmanuel


Uberaba, 15 de julho de 1981.


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

.

Abrir