Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Correio fraterno — Autores diversos


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Bem-aventurado anônimo

  1 Bem-aventurado anônimo,

  Ninguém te viu a mão vigilante e sábia

  Quando semeavas a leira escura

  Para que todos tivessem pão,

  Nem te observou o esforço enorme,

  Quando abrias caminho à água distante

  Para que a sede não aniquilasse os homens da Terra!


  2 Olhos humanos não te fixaram,

  Quando levantaste o companheiro abatido,

  Quando suportaste o espinho dos maus,

  Chorando em silêncio para que outrem não chorasse.


  3 Gastaste muitos anos,

  Tecendo ninhos para as alheias asas,

  Levantando palácios fulgurantes

  Que jamais te acolheriam…


  4 De mãos votadas

  Ao labor mais humilde,

  Traçaste roteiros

  Dentro da Natureza agreste,

  Ergueste cidades e parques

  Para a alegria de todos.


  5 Ninguém te conheceu, nem louvou…


  6 E quase todos

  Que se rejubilaram nos benefícios,

  Através de teu suor,

  Acreditaram que te bastavam

  As moedas que lhes sobravam na bolsa

  E esqueceram-te para sempre.


  7 Entretanto,

  Observas, mudo,

  Que os grandes arautos do morticínio

  Eram anunciados com ruído

  No caminho das nações…

  Muitos dos que destruíam as obras do bem

  E os que falseavam a verdade

  Eram incensados no galarim da fama,

  Por milhões de vozes sedentas de poder!…


  8 Bem-aventurado anônimo! Bem-aventurado anônimo,

  E quando a morte chegou

  A gratidão terrestre não veio socorrer-te,

  Ninguém apareceu para enxugar-te o pranto.

  Para os irmãos que te deviam

  Não passava teu nome de palavra sem eco…

  Somente a caridade

  Envolveu-te em seu manto…


  9 Mas, ó trabalhador desconhecido!

  Para teus ouvidos venturosos,

  Soou, na imensidão dos céus,

  A frase inesquecível:

  — Vem a mim, servo bom e fiel!


  10 Num transporte de júbilo indizível,

  Reconheceste, então,

  A grandeza das vidas pequeninas,

  A glória das tarefas obscuras,

  Descobriste a ti mesmo nas alturas,

  E, atravessando as amplidões divinas,

  Abençoaste os dias teus,

  À luz do Grande Anônimo que é Deus.


.Alma Eros


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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