Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartas do Alto — Autores diversos


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Carta a um jovem

1 Diversos amigos espirituais procuram estimular-lhe as energias na sementeira de renovação interior ao clima abençoado do Evangelho.

2 Não cultive qualquer sombra de dúvida no coração.

3 O trabalho é uma estrada luminosa e alegre na direção da vitória com o bem.
E, nesse sentido, a sua alma de semeador da Boa Nova vem encontrando júbilos diferentes na marcha para os cimos da libertação.

4 Não descreia da sua possibilidade de realização com o Cristo. 5 Nosso maior enigma na carne é a desintegração de certas algemas pesadas que nos jungem a concepções individuais por nós cristalizadas, apaixonadamente, nos círculos do tempo. 6 Sentimos a revelação do Céu, mas conservamo-nos presos a determinados sistemas de luta na Terra e entre a esperança e a construção do novo destino despendemos anos a fio, porquanto nem sempre adquirimos a coragem precisa para avançar.

7 Não se acredite, porém, encarcerado nas limitações dessa natureza. Seu Espírito tem sabido criar um novo campo de ação, dentro de si mesmo, para levantar voos novos no porvir iluminado pelo Cristianismo redivivo.

8 Não guarde inquietações, contudo, em sua jornada para os nossos objetivos fundamentais. 9 O esforço de cada dia é o ascendente legítimo da coroa do êxito no século. 10 Cada um de nós aproveitará os minutos, santificando-os com o serviço renovador, se desejamos alcançar as obras que nos comprometemos a realizar. 11 Companheiros de sua condição, que podem contemplar a verdade, em pleno roteiro juvenil, podem concretizar alta percentagem do nosso idealismo espiritista-cristão no mundo.

12 Não vemos no movimento que vocês, os irmãos mais jovens, realizam uma excursão à esfera das imagens sem consistência ou dos sonhos inúteis, em que a demagogia ardente, compreensível nos corações menos experimentados, pretenda estabelecer linhas divisórias entre a mocidade e a velhice, consideradas na expressão carnal da vida terrestre, mas sim larga cruzada de educação, onde a educação pode, realmente, plasmar sublimes milagres para o mundo regenerado de amanhã. 13 Observamos na sementeira que vocês intensificam a promessa do futuro pelo trabalho preparatório do presente. Em razão disso, consideramos que o seu coração, integrado nesse abençoado esforço, conseguirá atingir grandes edificações no porvir com o aproveitamento valioso da oportunidade de aprender e agir, trabalhar e servir pelo triunfo brilhante da causa divina da humanidade, que é, portanto, a nossa própria causa.

14 Auxilie os irmãos de tarefa, colaborando consigo mesmo, no erguimento da luz acima das sombras e do bem sobre a imperfeição.

15 Não há juventude ou velhice segundo o conceito humano. Há moços que se revelam em plena senectude pelo abatimento espiritual e pela ansiedade inoperante com que comparecem diante do altar da vida, e anciãos que se mostram maravilhosamente rejuvenescidos pelo espírito de trabalho e pelo entusiasmo com que aceitam as dificuldades e os desafios da vida.

16 Conquistemos, pois, visão, meu amigo, para que a Terra nos confie a divina herança a que nos achamos destinados. Dilatemos a nossa capacidade de receber as bênçãos do Infinito, descerrando novos horizontes dentro de nossas próprias almas, a fim de que nosso “eu” encontre a necessária sublimação para refletir os desígnios do eterno e compassivo Senhor.

17 Coloque o seu ideal de crescer mentalmente com o Cristo acima de todas as preocupações de natureza terrestre 18 e não nos esqueçamos de que a nossa tarefa, no momento, é a de educar em todos os setores, através da boa vontade, do estímulo fraternal, da caridade incessante e da cultura enobrecedora, entre jovens, velhos e crianças. 19 E consagrando as nossas horas à obra do aperfeiçoamento espiritual, em nós e fora de nós, sob os padrões do Cristo, nosso Mestre e Amigo celestial, esperemos por ele, cada dia, no abençoado trabalho de nossa redenção. n


.Emmanuel



Reformador — Novembro de 1976.


[1] Consta do original que a mensagem foi recebida em sessão pública realizada no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, na noite de 02/10/1950. Nele há a seguinte observação: “(…) Emmanuel dirigiu a mensagem (…) ao “Irmão Américo”, que o buscara, há vinte e seis anos, para receber orientação quanto a um adequado roteiro de trabalho no campo de realizações espiritistas a que se filiara [sic]. (…) A página inédita foi-nos cedida pelo seu destinatário, o Dr. Américo Luz, juiz federal do Rio de Janeiro, confrade e colaborador da Federação Espírita Brasileira”.

Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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