Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Cartilha da Natureza — Casimiro Cunha


51


O açude

  1 Vai-se o inverno frio e longo,

  Volta o tempo desejável.

  O açude prossegue sempre

  Na harmonia inalterável.


  2 Espelho caricioso

  Refletindo o céu de anil,

  É lençol de luz e ouro,

  Na tarde primaveril.


  3 Durante o dia sem sombras,

  Retrata o Sol a brilhar,

  Quando a noite vem descendo

  Guarda os raios do luar.


  4 Tudo isso é um quadro lindo,

  Mas não é só. A represa

  É a mensagem da prudência

  No apelo da Natureza.


  5 O açude não priva as águas

  De manter seus bons ofícios,

  Mas sabe guardar as sobras,

  Evitando os desperdícios.


  6 No organismo inteligente

  De suas disposições,

  Fornece canais amigos

  Em todas as direções.


  7 E surgem forças cantando,

  No pão, na luz, no agasalho.

  É a vitória da alegria,

  Na abundância do trabalho.


  8 Se a represa não guardasse

  Com prudência e com carinho,

  Faltaria o necessário

  Nos celeiros do caminho.


  9 Se o perdulário entendesse

  O ensinamento do açude,

  Jamais choraria a falta

  Do sossego e da saúde.


  10 Guardar o que seja justo,

  Sem torturas de avareza,

  É da prudência divina

  No livro da Natureza.


.Casimiro Cunha


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

.

Abrir