Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Antologia dos Imortais — Autores diversos — 2ª Parte


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Zeferino Brazil


APARIÇÃO

  1 Saulo, o perseguidor, segue o roteiro, atento.

  Vem Damasco à visão do futuro rabino.

  Aridez ao redor… Mato raro, mofino… n

  Nem perfume de flor, nem sussurro de vento.


  2 Pronto, vasto clarão golpeia o firmamento.

  Desce um homem de luz e empana o Sol a pino.

  “Saulo!… Saulo!…” — convoca o emissário divino.

  “Quem sois vós?” — Saulo grita, assombrado e violento.


  3 “Eu sou Jesus” — responde a vítima ao verdugo —,

  “Não recalcitres mais contra o amor de meu jugo!”

  Cego, o doutor da lei tomba de alma ferida…


  4 Mas longe de jungir-se aos grilhões do passado,

  Levanta-se na areia, exsurge transformado,

  E consagra a Jesus o coração e a vida.


ZEFERINO de Sousa BRAZIL — Poeta, cronista e jornalista, membro da extinta Academia Riograndense de Letras e patrono da cadeira n° 24 na Academia Sul-Riograndense de Letras, o “Príncipe dos Poetas do Rio Grande do Sul” legou um nome de grande prestígio nos meios intelectuais do País. Referindo-se à poesia de Zeferino Brazil, João Pinto da Silva (Hist. Lit. R.G.S., pág. 86) afirmou: “É um inspirado, um espontâneo, à maneira antiga, sem deixar de ser, ao mesmo tempo, um artista.” Incluindo-o em sua Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, Manuel Bandeira tirou-o do olvido. (Porto Grande, Munic. de Taquari, Est. do Rio Grande do Sul, 24 de Abril de 1870 — Porto Alegre, Est. do R. G. S., 3 de Outubro de 1942.)

BIBLIOGRAFIA: Alegros e Surdinas; Vovó Musa; Na Torre de Marfim; Teias de Luar; etc.



[1] Atente-se na musicalidade dos versos. Expressiva a aliteração da línguo-dental t, em que entra a homorgânica d, de magnífico efeito. Aliás, a sequência de fonemas congêneres se faz em todo o soneto.


(Psicografia de Waldo Vieira)


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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