Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Antologia dos Imortais — Autores diversos — 2ª Parte


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Pedro Velho


AO TOQUE DO AMOR

  1 Rompendo a bruma, em louca arremetida, avança

  No incrível desvario em que se deblatera,

  Onde a sombra abismal domina, esfera a esfera,

  O triste obsessor, faminto de esperança.


  2 Preso ao mal que atormenta e à dor que não descansa,

  O que mais o acabrunha e o que mais o exaspera

  É sua estranha volta aos instintos da fera,

  Na loucura feroz que o propele à vingança.


  3 Espírito infeliz, padece no braseiro

  De flagelo mental, gargalhante e escarninho,

  Mil remorsos bramindo em torvo cativeiro…


  4 Mas ao toque do amor, sem que a treva o degrade,

  Arrepende-se e clama, ante o novo caminho,

  Para nova missão na glória da humildade. n


PEDRO de Castro VELHO — Patrono, na Academia Sul-Riograndense de Letras, da cadeira nº 32, e colaborador de diversos jornais e periódicos de sua terra natal dentre outros, O Diário, O Pampa, A Revista do Sul. A princípio, foi Pedro Velho grande poeta romântico, “intérprete espontâneo da desesperança e da piedade”, segundo a expressão de João Pinto da Silva (Hist. Lit. R. G. S., págs. 120 e 124); depois, transformou-se “num profissional do humorismo”, muito embora continuasse, no íntimo, a alimentar-se do mesmo “pessimismo e da mesma angústia (idem, pág. 126). (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, 29 de Junho de 1882 — Porto Alegre, 7 de Setembro de 1919.)

BIBLIOGRAFIA: Ocasos.



[1] Sobre o esquema rimático dos tercetos, cf. o soneto “Primavera” (apud Col. Poetas Sul-Riogr., pág, 196), uma de suas produções isentas de imagens negativas.


(Psicografia de Waldo Vieira)


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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