Bíblia do Caminho Testamento Xavieriano

Antologia dos Imortais — Autores diversos — 1ª Parte


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Amaral Ornellas


SERVIR

1 Servir é a grande lei… Todo o Universo ensina 1 n

A retê-la por luz que vem da Eterna Chama.

Observa a Natureza… É o Céu que se derrama 3

Para a glória do Amor como essência divina.


2 Toda força do bem, por fraca e pequenina,

Não foge de atender na senda que a reclama…

Um só lírio no charco é jardim sobre a lama,

Basta um raio de sol e a furna se ilumina.


3 Não conserves a vida indiferente, muda.

Desperta e estende as mãos! Alenta, ampara, ajuda,

Semeando na estrada a alegria incorpórea!…


4 E sonhando, qual verme a trabalhar de rastros, n

Remontarás, um dia, à imensidão dos astros,

Para servir com Deus em suprema vitória.


OUVE

  1 Escuta! Enquanto a paz da oração te domina,

  Qual melodia excelsa, a fremir, doce e mansa,

  Há quem padeça e morra à míngua de esperança,

  Rogando amparo, em vão, no lençol de neblina.


  2 Ouve! A sombra tem voz que clama e desatina…

  É a provação que ruge… A dor que não descansa…

  Desce do pedestal da fria segurança,

  Transfigura a bondade em fonte cristalina.


  3 Estende o coração!… Serve, instrui, alivia…

  Das sementes sutis de ternura e alegria

  Prepararás, agora, o jardim do futuro…


  4 Um dia, voltarás à pátria de onde vieste n

  E apenas colherás na luz do Lar Celeste

  O que dás de ti mesmo ao solo do amor puro.


Adolfo Oscar do AMARAL ORNELLAS — Prosador, poeta e teatrólogo, Amaral Ornellas foi, por sete anos consecutivos, secretário da revista “Reformador”, órgão da Federação Espírita Brasileira, e membro da Comissão de Assistência aos Necessitados dessa mesma Casa. Vice-presidente do “Grupo Espírita Fé, Amor e Caridade Agostinho”, instituição de amparo aos doentes do corpo e da alma. Homem bom e extremamente caridoso, deixou, como médium receitista, um nome benquisto por milhares de beneficiados. Na Diretoria de Estatística Comercial foi funcionário distinto e exemplar. Teatrólogo, escreveu várias peças admiráveis, uma das quais, “O Gaturamo”, foi premiada pela Academia Brasileira de Letras. “Em suas poesias” — diz Manuel Quintão, à pág, 181 do Reformador de 1918 — “ele canta serena e dignamente as suas emoções, sem cair em delíquio de exuberância, em malabarismo palavroso.” (Rio de Janeiro, Gb, 20 de Outubro de 1885 — Rio de Janeiro, Gb, 5 de Janeiro de 1923.)

BIBLIOGRAFIA: Poesias (1ª Série); Poesias (2ª Série); Iluminuras; etc., além de excelentes trabalhos doutrinários em Reformador e outros órgãos espíritas.



[1] Versos 1 e 3: Aposiopese — “Espécie de FIGURA definida por Marouzeau como “interrupção da frase por um silêncio brusco, feito para traduzir uma inesperada hesitação ou emoção da pessoa que fala”, …” (Geir Campos, Op. cit.)

[2] de rastros: “rastejando, arrastando-se”. Rastro é variante de rasto, forma de uso corrente entre nós.

[3] Ler em duas sílabas: vies-te.


(Psicografia de Francisco C. Xavier)


Citação parcial para estudo, de acordo com o artigo 46, item III, da Lei de Direitos Autorais.

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